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Quarta, 16 de Agosto de 2017
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Descendente de portugueses, enfermeira segue missão do pai na Rocinha - Extra
Das palavras do pai, o seu Aníbal Português, nasceu a missão de Maria Helena Carneiro de Carvalho, de 52 anos, na favela da Rocinha.
Descendente de portugueses, enfermeira segue missão do pai na Rocinha - Extra

Vindo da Europa em 1955, o comerciante fincou raízes no local ao abrir uma barbearia na Rua 2, e preparou seus três herdeiros para trabalharem sempre pelo bem da comunidade. A enfermeira, que vive no mesmo endereço até hoje, bebeu na fonte da saberia paterna e é uma das responsáveis pela redução no índice de doenças, como a tuberculose, entre os moradores, desde a década de 1980.

— Meu pai veio direto de Portugal para a Rocinha e, dois anos depois, eu nasci. Sou nascida e criada na Rocinha. E ainda residente aqui. Ele dizia que, quando os filhos fossem para a universidade, tinham que trazer de volta para cá o que aprendessem, porque era daqui que tirava o nosso sustento — afirma Maria Helena, diretora do Posto de Saúde Doutor Albert Sabin, dentro da comunidade.

A pequena que ajudava o pai na quitanda Santa Helena — comércio que sucedeu a barbearia — nos intervalos dos estudos, aprendeu a participar cedo das atividades comunitárias, vendo Seu Aníbal ajudar a limpar valas e asfaltar ruas do bairro ainda pouco populoso. A descoberta do caminho que a levaria a contribuir com a Ro$, porém,veio na escola.

— No segundo grau, como aluna do (Colégio Estadual) André Maurois, fui a uma palestra no Hospital Miguel Couto sobre enfermagem e percebi que era uma profissão ampla: lidava com o ser humano como um todo e com o meio ambiente dele. Entrei para a UniRio e me encontrei — diz a enfermeira.

Na década de 80, já formada, foi trabalhar na unidade de saúde da comunidade e pôs em prática um projeto ambicioso para imunizar todos os moradores.
Campanhas de vacinação
— Quando eu participava como voluntária de campanhas ligadas à igreja na Rocinha, percebi que ainda havia doenças como sarampo e difteria. E as vacinas estavam ali, no calendário... No posto, a primeira coisa que fizemos foi trabalhara isso e conseguimos vacinar todos os moradores mesmo.

Em 2002, quando os índices de tuberculose atingiram grau de incidência seis vezes maior do que a taxa da doença na cidade (621 casos), era hora de agir:

— Criamos um grupo de agentes comunitários para “perseguir” os pacientes.

 

 

 

Relação de aproximação com o paciente

O grupo de agentes comunitários começou a agir contra a tuberculose na Rocinha em 2003. Na época, havia 625 casos da doença registrados na região, e um índice de abandono de tratamento de 9,5%. Quatro anos depois, o resultado da “perseguição” se mostrava em números: 401 doentes, com 4% de abandono.

— Após 30 dias de tratamento, o paciente melhora. o agente supervisiona a ingestão do medi$. Atualmente, há cerca de 300 casos. É a segunda região de maior incidência no município, atrás da Leopoldina. Mas só sabemos que o número é grande porque aqui nós pesquisamos e monitoramos sempre — diz Maria Helena, lembrando que nem todas as regiões têm um trabalho frequente de monitoramento, o que pode levar a uma estatística subdimensionada.

Com uma carta de elogios escrita pela viúva de Albert Sabin pendurada na parede, $diretora do posto da Rocinha se orgulha da relação que construiu com a comunidade, a partir da vacinação da década de 80.

Tratamento pelo nome


— Ficamos dois meses Rocinha a dentro, vacinando por área. Conseguimos, olho no olho, introduzir a unidade na comunidade. Muita gente não conhecia o posto. Hoje, as pessoas se tratam pelo nome. A relação de aproximação é muito grande — diz ela, que divide os louros:

— Ser moradora é um ponto importante, mas a unidade cresceu por ter equipe forte, que entendeu o papel de responsabilidade com a população.

Mãe de quatro filhos, a enfermeira ainda põe o isopor com as vacinas no carro em dia de campanha e sai pela comunidade, como no início da carreira:

— Eles se queixam porque nem domingo paro em casa, mas coordenar também significa pôr a mão na massa.

Depoimento:

Maria Helena Carneiro de Carvalho
52 anos, enfermeira
Fui educada a participar da vida da Rocinha desde pequena, como voluntária em atividades de grupos comunitários na área de saúde, na Igreja Nossa Senhora da Boa Viagem. Meu pai foi minha inspiração. Ele limpava valas, asfaltava ruas e se preocupava com a nossa educação. Fiz enfermagem por opção e me tornei diretora do posto em 1993, depois de passar por uma pós-graduação em gestão. Sou uma apaixonada pelo serviço público. Acredito que ele é capaz. Um dos casos que mais me marcaram aqui foi numa época de enchente, quando a família de um menininho, com menos de 1 ano, ficou desabrigada. Eu estava amamentando meu filho mais velho e a criança também pegou meu peito — ficava um de cada lado. Não tive o menor problema com isso, porque sou profissionalmente realizada. Sei que tenho uma missão no serviço público e de responsabilidade com a Rocinha.



Fonte: Extra
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