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Arte da favela da Rocinha
A Rocinha é a maior favela do Rio de Janeiro e também a mais populosa de todo o Brasil. Neste imenso bairro de 150 mil habitantes funciona a escola de Arte da Rocinha, um projeto apaixonado que entusiasma, onde se ensina arte, computação, idiomas e muitas outras coisas, Desta escola, entre tantas outras coisas, nasceu a BanDaCapo, um grupo que com sua música chegou a Alemanha. Ai vai a crônica de nossa visita à Rocinha
Arte da favela da RocinhaEntão pergunta: Que lugar do Rio vocês ainda não conhecem e querem conhecer?
- Rocinha!
A resposta é piada, obviamente, porque, apesar de ser certo que desejamos conhecer a maior favela do Brasil, também é certo que até ali estamos nos dirigindo, para isso mesmo nos encontramos nessa esquina de Copacabana, mas a pergunta aponta a qal caminho podemos tomar para seguir conhecendo novos lugares. Gilberto conduz com destreza, como quase todos os cariocas. O caminho pode serpentear, ficar subutamente estreito ou escarpado, pode encontrarse com um ônibus na frente, as luzes altas que ele, não obstante passará, tranquilo, quase “tirando tinta”, uma espécie de Romário no volante. Deixamos para trás o estúdio de Gilberto Gil na Gávea, continuamos subindo, quando de repente, o caminho se abre, então, nosso amigo, guia e protagonista desta história, nos explica que para um lado segue o caminho da Gávea, uma zona exclusiva a esta altura e pelo outro, drásticamente, dramáticamente, começa o caminho da favela.

Mas não há perigo, talvez a rocinha seja mais segura que o Leblon, bairro mais cotado da zona Sul do Rio de Janeiro. Ali, nos explicaram, os traficantes exercem uma espécie de “protetorado”, são menos frequentes os episódios de roubo, diminui o delito que, monopolicamente detêem, desde as sombras e desde sempre os traficantes. Então os problemas chegam quando as quadrilhas rivais entram em conflito. Mas esperamos que isso não ocorra.

Tal como alguma vez havíamos visto na televisão, a Rocinha, ao menos a parte baixa, ao menos em sa rua principal, não se diferencia em quase nada de m bairro humilde de Buenos Aires: tem luz elétrica, há pequenas lojas, alguma bicicleteria e até um ônibus de linha. Também estão os “mototaxis”, que te levam para a parte de cima. Cachorros magros soltos. E do caminho principal saem becos que nos levam a moradias precarias, onde so pode passar um por vez de tão estreito. Nosso carro começa a falhar e temos que parar de um lado da rua entre dezenas de homens e mulheres que conversam, sobem, descem e gritam de um lado a outro, ou tomam cerveja, ou trazem a comida.

“Nossos amigos argentinos querem emoções fortes mas não tantas” – dirá Marianna Leporace – mulher e companheira de Gilberto, nosso guia na favela. Marianna, como seu esposo, é musica e canta. Gilberto, além de músico e professor, tem sob sua responsabilidade a coordenação geral do projeto de que vamos ser testemunhas: a Escola de Música da Rocinha.

Finalmente chegamos ao edifício da prefeitura, onde funciona a Escola de Arte da Rocinha. Dai saiu a BanDaCapo, grupo que gravou um CD sobre a música de João Bosco – com participação do próprio Bosco – e que chegou a tocar na Alemanha. Sobre isto nos conta Gilberto:

Enrique: Da Rocinha a Alemanha …

Gilberto: Tudo começou em 1994 quando o professor Hans Koch, utilizando recursos próprios, criou a EMR. Ele conseguiu uma sala emprestada pela Igreja Metodista da Rocinha e recebeu alguns instrumentos doados pelo São Conrado Fashion Mall, shopping center que fica num bairro de classe alta vizinho à Rocinha. Inicialmente a escola oferecia aulas de Flauta Doce a 14 alunos e um ano depois ampliou sua ação oferecendo também aulas de Violão, Teclado e Canto Coral. Ano a ano foi crescendo o número de alunos e novos cursos foram sendo criados. Hoje a escola atende a mais de 500 alunos em cursos também de Percussão, Cavaquinho, Clarinete, Saxofone, Flauta Transversa, Musicalização e Prática de Conjunto.
Um desses cursos, o de Prática de Conjunto, pode ser considerado o mais importantes da nossa proposta pedagógica. É nele que vários grupos se formam para a produção de trabalhos com vistas à apresentações públicas, e isso fez com que, a partir de 2000, além de sua ação sócio-pedagógica, a escola passasse a ter uma produção artística muito intensa e de grande qualidade.

E: O lado mais escuro da favela ja é vem conhecido - e divulgado - pelos jornais, pelo cinema - caso " cidade de Deus" ou "pixote" ....... mais sempre tem outra esperanza , outro projeto, né ?

G: Sim, aqui na Rocinha, como também nas outras favelas, quase 100% da população é formada por pessoas íntegras, trabalhadoras, pessoas que vivem honestamente e que lutam muito para conseguir viver com dignidade. Mas existe uma minoria que está vinculada ao tráfico e ao crime organizado que é muito poderosa. Infelizmente a mídia costuma dar muita ênfase as notícias relacionadas a essa minoria e divulga muito pouco as ações positivas que acontecem nas favelas, e com isso ajuda a criar junto à sociedade uma imagem muito negativa dessas comunidades.

É importante contar tudo isso, e contar também que nas favelas há carência de infraestrutura em todos os aspectos, mas tem que se ter o cuidado de não destruir a imagem dos seus moradores que como já disse são, em grande maioria, pessoas íntegras e trabalhadoras.

E:Tem um excelente CD de um grupo formado na Rocinha, a BanDacapo, onde tocam a musica do Joao Bosco, e onde "o mestre" também colabora...

G: O pessoal da BanDaCapo já acumula uma importante experiência. Em 2003 o grupo gravou seu primeiro CD que foi fabricado na Alemanha e vendido durante uma turnê que o grupo fez em 17 cidades daquele país. Foram 25 shows e quase 1000 Cds vendidos. Na época o grupo se chamava “Seis Que Sabem”, nome que teve que ser mudado porque descobrimos outro grupo com o mesmo nome aqui no Rio de Janeiro. Desde então o grupo fez muitos shows e em 2005 gravou seu segundo CD “BanDaCapo Canta João Bosco”. Hoje, além desse grupo, temos também o “Chorando à Toa”, grupo que tem feito muitos shows aqui no Rio apresentando repertório de choro e samba tradicional. Esse grupo deve gravar seu primeiro CD no ano que vem, provavelmente com repertório de músicas inéditas. É importante ressaltar que a profissionalização desses grupos gera renda para os jovens e gera recursos para o projeto, visto que o dinheiro arrecadado com cachês é dividido entre os músicos e a escola, ajudando na manutenção das atividades.



Fonte: Revista Quilombo - Enrique Yañez
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Walber Ferreira dos Santos
Postado 14/11/2011 16:56:42
E agora como sobreviverão os filhos dos ricaços da Barra que tinha a Rocinha como seu reduto varejista e atacadista?O nonsense de civilização dos ricos que moram em condonomios de luxo revelam a sintonia da classe dominante do terceiro mundo,que se alimentam da miséria alheia e do tráfico da periferia urbana do Rio de Janeiro. Quem se lembra da História do Brasileirinho, menino que trabalhava com seu carrinho de rolimã, fazendo entrega de compras para as madames de supermercados nas imediações da Rocinha. Com 12 anos foi cooptado pelo Tráfico. A morte de Brasileirinho com 14 anos tomou as paginas da mídia,porque um outro menino Erick, filho de uma juiza estva no meio do massacre, quando houve a fuga da Rocinha para S. Gonçalo no carro da familia da Juiza. Sei deste caso,porque a irmã do garoto de classe media,filho de um empresário e uma juiza, estudava na Faculdade Nacional de Direito. A morte de seu irmão Erick teve uma chamada no jornal da FND, DENOMINADO "O Sapo". Nesta época, eu estudava na FND/Ufrj.O menino Erick, filho da JUIZA, foi ajudar na fuga com o carro da familia e morreu junto com o Brasileinho num massacre, dentro do prório carro. Passados anos e anos, agora, o Nem diz que foi cooptado pelo tráfico por conta de uma DÍVIDA para tratamento médico de sua filha. Cadê o SUS que DEVERIA DAR O TRATAMENTO de saúde para a filha do ofice-boy Nem, trabalahador na época? Cadê o Estado que não deu infância digna para o BRASILEIRINHO? A falha do estado em tudo está presente. Quanto ao filho da Juíza, fica a referencia que só lembram de respeitar as crinaças pobres que morrem no TRÁFICO, qdo as estatisticas começam a atingir os filhos de empresários e autoridades de estado. Este país com ou sem Lula, com Dilma ou sem Dilma sempre será um país de merda. Nem a Dilma não faz uso do Sus. Nem o Lula faz uso do Sus! Sou ex- criança de rua e ex-aluno da Funabem. E, tenho moral para dizer que só tem corrupção neste Brasil. A historiografia de vida de BRASILEIRINHO foi EMBLEMATICO,porque envolveu o filho de uma juiza na sua morte. Mas se não houvesse o filho da Juiza? Enquanto isso, os grande fornecedores no atacado de cocaina continuam protegidos por costas quentes de BRASILIA, SENTADOS nas cadeiras do Senado e na Camara dos Deputados. Só tem canalha, fazendo média com discurso de combate ao tráfico e a violencia. No fundo, todos querem uma parcela do quinhão do ouro do tráfico. Morram crianças pobres , morram crianças (filhos de ricos), para eles o que interessa é o dinheiro que cai em suas contas bancárias no EXTERIOR ou são pagos em cash. Vejam o caso da fuga de todos os traficantes do morro do alemão, que ninguem viu ,e ninguem comentou. Pelo menos, no caso do Nem, houve prisão. É DESESPERADOR SABER que havia policiais DANDO COBERTURA na operação de fuga de traficantes da ROCINHA. Estranho é o fato de que havia um ex-policial, que tinha uma pulseira com chip, fazendo a cobertura da fuga de capangas de Nem. Será que este policial fugitivo , não sabia que estava sendo monitorado? A história está sendo mal contada. Tem caroço nesta prisão do Nem. Tudo correu com muita tranquilidade no meio da comunidade da Rocinha, ao ser dado a noticia da prisão do Nem. A noticia na comunidade correu com muita calma e silencio. Parece que sabiam que, de ante-mão,Nem ia ser preso. Ou o Nem tem medo mais de seus inimigos traficantes do que da própria policia? O problema maior é que estas prisões estão ocorrendo não é por conta de uma ação de cidadania proativa do Estado, mas por conta de pressão dos Jogos da Copa. A prisão do Nem e as ocupações da favelas do Rio de Janeiro é por conta de uma faxina social na cidade para receber turistas. Depois, tudo volta a funcionar como Dantes no Quartel de Abranches. Isto é,tudo volta como dantes no Quartel da Corrupção, depois dos jogos da Copa e das Olimpíadas!
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