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Desigualdade entre favela e asfalto cai no Rio, diz FGV
Diferença não é substancial e ocorre por piora na qualidade de vida dos que moram no 'asfalto' do que uma grande melhora daqueles que vivem em favelas. Rocinha está na 'contramão' disso...
Desigualdade entre favela e asfalto cai no Rio, diz FGV

RIO - A desigualdade entre os moradores de favelas e dos demais bairros da cidade foi reduzida nos últimos anos. Mas essa diferença ligeiramente menor ocorre mais por uma piora na vida dos que moram no "asfalto" do que uma melhora substancial daqueles que vivem em favelas, aponta o autor do estudo, o economista Marcelo Neri, da Fundação Getúlio Vargas.

A pesquisa "Desigualdade e favelas cariocas: a cidade partida está se integrando?", divulgada nesta terça-feira, 31, leva em consideração dados dos anos de 1996 a 2008. Não retrata as mudanças ocorridas nas comunidades com a criação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) e nem as transformações com o PAC das Favelas, que atingiu Rocinha, Manguinhos e Complexo do Alemão, as maiores favelas cariocas.

A taxa de pobreza do morador de favela 18,58%, em 1996, e passou para 15,07%, em 2008. Nas outras áreas da cidade, esse índice passou de 7,87% para 9,43%. O pesquisador também avaliou a desigualdade com base na linha da pobreza (R$ 140, pelos parâmetros da FGV). Em 1996, um morador de favela precisava de R$ 10,40 para chegar à linha de pobreza. Doze anos depois, eram necessários R$ 10, 80. Já o custo para o morador do asfalto passou de R$ 5,19 para R$ 8,78.

A renda individual do trabalhador que vive na favela cresceu pouco no período estudado- de R$ 491,13 para R$ 480,25. Enquanto a renda do trabalhador que vive nas outras regiões da cidade caiu R$ 137,40 (de R$ 1.278,88 para R$ 1.416,28).

De acordo com Neri, o município do Rio empobreceu. "O grande ponto é que a pobreza no Brasil caiu de 28% para 16% e na cidade do Rio aumentou de 9,5% para 10,2%. É quase a estabilidade num contexto em que a pobreza e a desigualdade brasileira estão melhorando a olhos vistos. Ou seja, (o Rio) empobreceu um pouco em termos absolutos e muito em termos relativos".

A pesquisa mostra ainda que o morador de favela tinha mais anos de estudo em 2008 (6,38) do que em 1996 (5,01). Já no asfalto, o tempo de estudo passou de 8,8 anos para 9,89 anos. "A principal política (para fazer diminuir as diferenças) talvez seja a de educação, porque as áreas de favela tem população jovem muito maior do que no resto da cidade. No entanto os indicadores de educação não tem melhorado. A diferença favela-asfalto caiu muito pouco no que tange à educação. A grande área estratégica é educação", defendeu Néri.

O estudo mostrou que o acesso a bens de consumo é semelhante. Na favela, 99,44% têm fogão, 94,02% têm rádio, 96,76% têm televisão, 97,48% têm geladeira e 73, 56% têm celular. Nas outras áreas da cidade, esse índice é, respectivamente, de 99,56%, 96,44%, 99%, 99,29% e 89,27%. A discrepância maior é o computador com acesso à internet - enquanto no asfalto 50,38% da população têm o bem, na favela, apenas 13,95%.

Já no acesso a serviços públicos como eletricidade, água canalizada e coleta de lixo, a desigualdade diminuiu por uma melhora dos serviços oferecidos nas favelas.



Fonte: Clarissa Thomé - O Estado de S. Paulo / Foto: Nildo Amaral - Espaço da Alma
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