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Rocinha Virtual
O Viva Favela aborda a realidade de um vasto conteúdo virtual relacionado a Rocinha, a favela mais multimídia do mundo. A reportagem é da talentosa jornalista Landa Araujo, moradora da comunidade
Rocinha Virtual Leandro é estudante de Jornalismo e morador da Rocinha. Foto: Divulgação

A Rocinha é citada em vários meios de comunicação e, em plena era digital, pode ser encontrada em várias referências virtuais. Moradores da comunidade buscam fazer a diferença no mundo virtual. Os portais Rocinha.org, Rocinhaonline e o site faveladarocinha.com tiveram a iniciativa de colocar o cotidiano da comunidade para o mundo. Claro, que suas novidades não se restrigem aos sites citados nesta matéria. Nós mesmos, do Viva Favela, sempre lembramos a comunidade em nosso conteúdo. Basta escrever ROCINHA em um site de buscas, como o Google e pronto! Há uma infinidade de informações. Dentro da comunidade, projetos sociais como o GBCR (Grupo de Break Consciente da Rocinha), Centro de cultura e Educação Lúdica da Rocinha e o SBR (Skate, Bike e Rollers) estão se comunicando virtualmente através de seus conteúdos em blogues.

No Orkut, cerca de 814 comunidades  - indicativo mutável a todo momento- relacionadas a Rocinha mostram o tamanho da diversificação de uma das favelas mais faladas na mídia e mais badaladas da internet. O por quê vamos saber agora.

Ocimar Santos é figurinha fácil na Escola de Samba Acadêmicos da Rocinha, e na Lit, pizzaria local. Ele é conhecido por colocar ideias em prática, como no jornal Arte Astral, que foi um dos primeiros da comunidade em 1991. Criador do portal rocinha.org foi pioneiro no segmento da internet e de acordo com ele, há quase mil páginas, mais de 500 vídeos e cerca de 10 mil fotos publicadas. “A idéia do projeto já tem mais de três anos, foi necessária uma pesquisa de mercado e uns estudos básicos relacionados à Internet. No dia 20 de agosto de 2007 a página foi ao ar de forma bem amadora e relativamente descompromissada com o futuro”, relembra ele que comemora a mudança da estrutura do site, em fevereiro deste ano, para melhor.

“A idéia de construir um site oficial da Rocinha surgiu da necessidade de contrapor a grande mídia que na maioria das vezes preferia veicular matérias relacionadas à violência ou ao tráfico de drogas. Com toda a sinceridade, o rocinha.org é a cara do Ocimar Santos (risos), mas, prometo que nessa nova fase ele será um cartão de visitas eletrônico da grande comunidade, diverso, polêmico, honesto”, informa Ocimar que relembra: “outra coisa que me impulsionou muito foi a necessidade de utilizar o vasto material que sobrou do extinto tablóide Arte Astral, o primeiro jornal em policromia da história da Rocinha, um projeto meu, que muito me orgulha”.

Outro que segue cheio de planos para a internet é o aluno do 4º período de comunicação, Leandro Lima. Para dar voz às suas idéias, pensou em um jornal, mas devido ao custo alto do material impresso, criou o faveladarocinha.com, no ar desde agosto de 2009, ele acompanha o cotidiano da comunidade.

O site coordenado pelo jovem, também conta com ferramentas interativas como o twitter e orkut e tem o apoio de uma equipe principiante, a maioria moradores da Rocinha, são eles: Diego Costa, Vania Fernandes, Alexandre Cruz, Flavio Carvalho, Alice Pereira e Marcos Barros - estudantes de jornalismo; Andrezza Souza, estudante de Direito  e Julia Campos, estudante de Eng. Florestal da UFRRJ. 

Dentro de suas metas, uma bem parecida com a de Ocimar, que é exatamente dar outra vertente para as notícias da comunidade: “minha meta é informar tudo sobre a Rocinha e acabar com as notícias das grandes mídias que só falam da comunidade quando há troca de tiros e guerra do tráfico. Esse foi o meu principal ponto. Meu segundo objetivo foi colocar estudantes para praticar o que será de suas futuras profissões. Estes que ainda não tiveram oportunidades em grandes empresas e que estão ganhando experiência no faveladarocinha.com”, diz Leandro que também é blogueiro de plantão.

Foi pensando em um projeto grande que Christian Souza, profissional da área de informática e também morador da Rocinha pensou no Rocweb, um local virtual que reúne vários projetos para a internet, como o rocinhaonline e o guiadarocinha (ambos criado por ele), disponíveis desde junho de 2009. Aos 35 anos, ele contabiliza 20 anos de trabalho de webdesign e largou suas outras funções para se dedicar totalmente a construção do projeto:

“Sou profissional desta área há muito tempo e comecei com este projeto paralelo ao meu trabalho, meio que experimentalmente. O resultado me agradou tanto que decidi me dedicar cada vez mais ao site. E hoje estou em tempo integral”, diz ele que trabalha junto com a esposa no projeto.

Apesar da maioria dos conteúdos apresentados pelo site ser de outros veículos de informação, Christian também dispõe colunas para os moradores, como a do morador Kadinho, que assina a coluna “Qual é a Boa?”, disponibilizando a agenda de eventos cariocas. Sobre esportes e fitness, por Thiago Collaros e a do apresentador do programa Muvuka (exibido pela TV ROC, para dentro da comunidade), Fernandes Júnior.  

Visitas de fora do País

Leandro contabiliza cerca de 1.200 visitas mensais ao faveladarocinha.com, ele afirma que a busca por informação vem principalmente de pessoas de fora da comunidade e que diariamente dão uma espiadinha: “Tenho acompanhado as estatísticas de visitas por um aplicativo e vejo que o site é bastante visitado por gente que não mora na Rocinha. Inclusive o público do exterior. Hoje tenho mais visitas dos EUA e Europa do que da própria Rocinha”. 

O jovem jornalista também conta os lírios de sua iniciativa virtual: “Uma TV da Espanha entrou em contato comigo para uma entrevista, porém não deu andamento. A BBC de Londres já conversou comigo e uma repórter veio me entrevistar. Foi bem legal porque ela ficou muito surpresa com as informações da Rocinha e inclusive, até visitou a comunidade”, completa Leandro.

Christian, não quis informar um parâmetro mensal, mas afirma que de julho a dezembro de 2009, consta no relatório de visitações um total de 1.042.184 páginas visitadas. “As visitas tem aumentado progressivamente. No começo foi difícil, mas os resultados atuais são muitos animadores é só você fazer uma média”, comemora Christian que afirma receber muitos jovens internautas moradores da Rocinha em seu site. “O bom da informática é que ela nos dá números e soubemos que hoje temos cerca de 90% das visitas do estado do Rio de Janeiro, 8% é do resto do Brasil e finalizando 2% é do resto do mundo em 54 países diferentes”.

Ocimar também não reclama do número de visitas e afirma que atingiu o pico de 22 mil acessos em um único dia depois da reformulação, em fevereiro. Antes das mudanças, quando o site recebia novos conteúdos, chegava ao número de 500 visitas diárias. ”Quando o site entrou em manutenção esse índice caiu um pouco, pois passei a veicular menos conteúdo em virtude da construção do novo layout”, diz Ocimar que está em parceria com uma empresa de São Paulo dando uma nova cara ao Rocinha.Org.

“A ‘cara’ do nosso leitor é bem diversificada, e o que mais me impressionou nessa empreitada foi a grande participação de pessoas que não moram na Rocinha. Já recebi inúmeros telefonemas do exterior, mensagens diversas no livro de visitas, emails, etc... Na área restrita, pude ver que a página era acessada até no Azerbaijão”, diz.

Obstáculos para informações ou informações além dos obstáculos?

Apesar das comemorações e dos bons números, todos os três sites esbarram com problemas de verbas e equipe para ajudá-los a continuar na trilha virtual, como diz Christian:  “Estamos ainda engatinhando neste projeto, mesmo tendo muitas visitas me falta uma equipe para evoluirmos nesta área, não temos como fazer tudo pela dimensão da Rocinha e pela falta de tempo de minha parte. Para isso,  preciso de capital para constituir e remunerar esta equipe, estou buscando isso fora da Rocinha, através de empresas”.

Ocimar também esperou mais interação de pessoas da comunidade, o que não aconteceu. Sobrecarregado, já chegou a trabalhar 12 horas sem interrupções nas páginas. “Mas acho que valeu muito a pena, pois outras páginas vieram a seguir e hoje a Rocinha está melhor representada na rede mundial de computadores”, afirma ele.

Questionados de como recebem as informações para alimentarem os projetos virtuais, Leandro não pensa duas vezes: “Eu sempre morei na Rocinha e acho isso fundamental para saber tudo que acontece na comunidade. Quando alguém não me fala o que acontece, eu procuro saber tanto no meu trabalho ou com o resto da equipe. Sem falar nas diversas ferramentas na internet que ajudam bastante. Mas evitamos colocar matérias dos outros. Preferimos ir no local e fazer a nossa. Até porque, somos todos estudantes e queremos praticar o que estamos aprendendo”.

Christian diz que a informação chega o tempo todo para ele, batendo em sua porta, no celular e em sua caixa de email. “É impressionante como as informações circulam nesta comunidade”, afirma.

Visitem:

www.rocinha.org

www.rocinhaonline.com.br

www.faveladarocinha.com.br

GBCR: http://gbcrh2.blogspot.com/

Centro de Cultura e Educação Lúdica da Rocinha:

http://rocinhaludica.blogspot.com/



Fonte: Landa Araujo - Portal Viva Favela / Clique na imagem e acesse a matéria original
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