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As várias fases da favela da Rocinha - Google Earth
Uma grande favela, uma grande história política, um emaranhado de fases boas e ruins
As várias fases da favela da Rocinha - Google EarthENTENDA A HISTÓRIA DA GRANDE COMUNIDADE

A favela da Rocinha conformava-se por entre o Morro dos Dois Irmãos, em um talvegue, em direção á  Estrada da Gávea, que em 1920 não passava de um caminho de terra. A Rocinha tem sua origem marcada pelos aspectos maciços rurais do lugar em que as primeiras famílias são registradas a partir de 1927. Em Segala (1991: 82) encontramos a descrição de uma Rocinha que era uma fazenda com 550.000m2 que foi dividida em lotes de cerca de 270m2 para serem vendidos em longo prazo. Este loteamento estava a cargo da Companhia Castro Guidon que traçou uma planta da Rocinha, com ruas demarcadas que existem até hoje, caracterizando os setores das Ruas 1, 2, 3 e 4. Em 1937 entra em falência a Companhia Castro Guidon e nesse processo alguns moradores não haviam conseguido a escritura de seus terrenos e acabaram por permanecer no lugar de forma ilegal. No ano seguinte, em 1938, a Estrada da Gávea é asfaltada, favorecendo a ocupação irregular da Rocinha.

Por volta de 1940, um homem chamado Renato Caruso Apresenta-se como dono das terras, e distribui terrenos, principalmente entre imigrantes nordestinos. O período de ocupação intensa foi entre as décadas de 1950 e 1960, passando de 4.513 habitantes para 14.793 (Segala, 1991:110). Então veio a reforma de 1962, a onda das remoções de favelas. A ideologia desta nova polí­tica habitacional era a da casa própria, através da construção de conjuntos habitacionais em maior escala nos subúrbios da Central e Leopoldina, que absorveriam as favelas da zona sul. A Rocinha passou por três remoções parciais. A primeira quando da construção da Auto-Estrada Lagoa-Barra; a segunda veio em 1971, transferindo moradores do Morro do Laboriaux, um dos setores da Rocinha localizado na parte mais alta, no limite com a reserva florestal da Tijuca, para um conjunto habitacional em Osvaldo Cruz. Os moradores removidos retornaram, posteriormente, pelos mesmos motivos que levaram os primeiros a voltarem para a favela, a distância da moradia ao centro de serviços. A terceira remoção ocorre em 1975, numa nova tentativa de remover quarenta famílias do Laboriaux e oito do setor Faz Depressa, também conhecido como 199. Neste momento na Rocinha havia cerca de 50.000 pessoas distribuídas em 10 mil barracos, considerada na época a segunda maior favela da Guanabara, perdendo para a favela do Jacarezinho.

Em 1980, a Rocinha foi escolhida como piloto de um programa de urbanização de favelas (Projeto Rocinha). Esse programa implantou vários serviços, dentre eles um conjunto habitacional que daria forma ao já ocupado setor do Laboriaux, com casas construídas para desabrigados da área do Valão.

A década de 1990 delineia a Rocinha dos dias atuais, em 1986, através do Decreto 6.011, a Rocinha passa a ser burocraticamente um bairro. Mas somente em 1993, por meio da Lei 1.995, a Rocinha tomou conhecimento de seus limites físicos reais. Ressurge o debate sobre a qualidade ambiental das favelas materializando-se no Programa Favela-Bairro, que buscava a urbanização das áreas informais, sobre o pretexto do resgate da auto-estima do favelado. Em 1998 o Decreto 17.217 que cria o POT - Posto de Orientação Técnica do Bairro da Rocinha. Contudo esta mais nova tentativa do Governo Municipal para implantar as leis do asfalto no morro não foi muito bem materializada.

As informações mais atuais sobre os dados demográficos da Rocinha são contraditórias, o site rocinha.com.br nos fala de uma população residente de 200 mil habitantes em fevereiro de 2004. Contudo os dados oficiais do governo fornecidos pelo IPP - Instituto Pereira Passos - nos mostram um quadro populacional de 45.585 habitantes em 1996. A estrutura morfológica da favela é rica e os espaços livres são buscados para as brincadeiras e lazer da comunidade de uma forma geral, e são eles os becos e lajes.

O bairro da Rocinha é hoje destacado pelos aspectos da violência. O conflito observado na Rocinha em abril de 2004 fez toda a sociedade pensar em formas de intervenções e ações urbanas no lugar. Dentro de tais perspectivas, os governos Municipal e Estadual chamam toda a coletividade a interagir nesse processo. Instala-se assim o Fórum Dois Irmãos em abril de 2004, que se lança com um ato de solidariedade denominado O Dia do Carinho. Paralelo a isso o Estado busca construir, também em reuniões com a comunidade, diretrizes de ações para a inserção do Governo Estadual na favela. Até que se conformasse tal cenário, diversas idéias despontaram como solucionadoras dos problemas da Rocinha, todas elas expressas em jornais cariocas indo da retrógrada idéia de remoção dos pobres das encostas privilegiadas da cidade á transformação da cidade em território federal.

O debate mais polêmico criou-se em torno da idéia da construção de um muro para cercar a favela, anunciada pelo Estado. A tentativa de se criar limites na Rocinha já foi tentado em 2001 pela Prefeitura, com a implantação de cercas de cabos de aço, denominadas de Eco-Limites na área da Macega. Hoje se verifica que este limite foi ignorado pelos moradores, estando à área além desta ocupada por barracos de madeira. Concomitante a essa realidade vive na Rocinha um outro lado que busca superar no cotidiano a falta de recursos e infra-estrutura, através de ações comunitárias e da produção cultural e social para além de suas fronteiras e do Brasil. A exemplo disto tem a COOPA ROCA que desenvolve trabalho de criação em moda, com as costureiras locais tendo seu trabalho reconhecido internacionalmente, e ainda, grupos teatrais como o "Roça Caça Cultura" e "Cia. de Teatro".

Apesar de oficialmente ser um bairro da cidade, a Rocinha ainda apresenta características físicas de favela. Pretende-se implantar o Programa Favela-Bairro na Comunidade, que deve ser entendida como complexo, e não isoladamente. Seus diversos setores, ou sub-bairros articulam-se para formar o que se entende como Rocinha, no entanto não se pode deixar de considerar que cada um desses ambientes apresenta particularidades que a identificam. Hoje a Rocinha avança seu crescimento para a Floresta da Tijuca, sendo esta usada intensamente pelos seus moradores para prática de lazer e subsistência, observa-se também sua ligação ancoradoura com as demais favelas ao seu redor, tal como a Vila Canoas - Favelinha, onde é comum o acesso de um lugar ao outro por dentro da mata; o Parque da Cidade, com a qual está quase se fundindo através da mata e da Estrada da Gávea; e o Vidigal. 



Fonte: Google Earth Community - Glauci Coelho
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Roberto Batista do Nascimento
Postado 14/3/2011 19:25:09
Hoje, o conceito de favela deixou de ser um conceito marginal para o assim chamado estilo de "vida alternativo". "Favelado" é uma identidade cultural de um indivíduo que nasceu e viveu em um bairro-fevela. Ele tem vida própria e forma de vê o mundo de uma ótica totalmente diferente. Eu sinto na pele esse sentimento. Porque eu sou cria da Rocinha....
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