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Sexta, 22 de Setembro de 2017
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Chacrinha Barbosa: 'Uma escola no alto do morro'
Relato da economista que foi ministra da Administração Pública e Reforma do Estado, em 98 e 99, no governo FH, e secretária de Cultura de São Paulo. Claudia Costin é especialista em gestão pública, e tem perfil técnico
Chacrinha Barbosa: Uma escola no alto do morroVisito a Escola Municipal Abelardo Barbosa Chacrinha. Precisamos pegar uma van para conseguir subir chegar numa das mais lindas vistas do Rio de Janeiro. Na porta, dois cachorros esperam pacientemente seus donos. Balinha sai da frente da escola e nos recepciona, feliz. Na entrada, bem no local onde os pais esperam as crianças, o cartaz do MEC informa o IDEB da escola e sua evolução de 2005 a 2007. Alguns livros foram colocados sobre uma mesa para leitura e retirada dos pais.

A sala da diretoria tem brinquedos: um leão repousa numa escrevaninha, outros animais de pelúcia alegram a sala e cobras de verdade em vidros com formol no alto de uma estante. Nas paredes, a meta de IDEB proposta pela secretaria e, logo abaixo, um IDEB mais ousado com um comentário: Avante Abelardo Chacrinha!

Seguimos para a sala de leitura. Finalmente uma aberta! Organizada, atrativa, com livros e computadores em bom estado, mas com sinais claros de que são manuseados. Os computadores não têm conexão via Internet.

Algumas mães vêm nos conhecer- são as mães comunitárias da escola. Vamos para o refeitório, onde as crianças da Educação Infantil estão almoçando. Uma gari da COMLURB passa e sorri para elas. É a Abobrinha, como ela própria se autodenomina. Ao subir constato o Cantinho da Leitura, como livros pendurados num varal baixo e três poltroninhas em círculo. “Às vezes, eles se cansam das aulas e vêm aqui ler um pouco” .

Passo pelas salas e pergunto quais seus sonhos. Novamente são futuros bombeiros, jogadores de futebol e professores. As meninas querem ser médicas, professoras e veterinárias. Todos exibem seus conhecimentos em cálculo mental.

A escola não tem quadra, mas usa a da comunidade, a uns 50 metros do local.

Problemas? “Na última Prova Brasil”, me conta a diretora, que há 19 anos ensina nesta escola” tivemos medo de ter um desempenho ruim. Foi na pior guerra da comunidade e a escola não pôde abrir por alguns dias”. O IDEB foi muito melhor que dois anos antes. Ao ouvir minha pergunta sobre como posso ajudar, ela pensa e propõe que a secretaria ajude a cobrir a quadra comunitária. Leva-me à quadra, onde um grupo animado de meninos e meninas joga handebol, sob a orientação da professora de Educação Física. A quadra fica ao lado de um acesso a uma reserva de mata Atlântica. Ao nos aproximarmos, constatamos a presença de um micro-clima, um pouco mais frio.

Dois ex-alunos passam por lá e um abraça a diretora. Ele estava acompanhado de um cachorro um pouco molhado. “Vão já secar o cachorro” diz a diretora “ele vai se resfriar!” A Diretora adjunta chega e pergunta: “Vocês não estão amando esta escola?” Sim, devo confessar que sim.

Fonte: Claudia Costin, Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro
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