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Terça, 19 de Setembro de 2017
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Gringos vêem menos violência e miséria do que imaginam em 'tour' pela Rocinha
Jornalistas do Portal SRZD acompanharam um passeio turístico no interior da maior favela. Entre outras coisas descobriram que os visitantes tem visão errada do 'turismo de safári'
Gringos vêem menos violência e miséria do que imaginam em tour pela Rocinha

Há quem seja atraído pelo fascínio provocado pela violência e miséria, que, muitas vezes, é associado às favelas. Os turistas curiosos em ver isto de perto podem se frustrar ao embarcar em passeios turísticos pela Rocinha. O SRZD esteve à bordo de jeep e de van, ao lado de  chilenos, croatas, suecos, alemães, norte-americanos e portugueses, e conferiu uma outra realidade encontrada por eles. Os visitantes ficaram surpresos com a quantidade de serviços, a ausência de armas e o clima amistoso.

* Veja galeria de fotos do passeio no SRZD

"O Rio de Janeiro não é só praia. E favela não é só droga e violência" é o lema do passeio. No  início da "viagem",  na  Avenida Atlântica, o guia fala sobre os contrastes sociais que convivem bem próximos. Na divisa estreita que separa a Rua Marques de São Vicente e a Rocinha, compara: "Aqui está o Canadá (Gávea) e ali Gana (Rocinha)". Ele aproveita e conta que na favela a única criminalidade é o tráfico de drogas, consumidas e financiadas basicamente por quem não mora no local, e que assaltos e agressões, por exemplo, não são permitidos.

"Tenho mais medo das ruas"

"Eu pensei que fosse embarcar numa aventura, encontrar criminosos e gente que mata, mas o que vi foram pessoas honestas e felizes. Mesmo tendo achado que o lugar sofre com a falta de espaço e que muitas pessoas dividem um cômodo só, esperava ver mais pobreza.  Aqui no Rio, senti muito mais medo das pessoas que moram nas ruas do que da favela", disse a chilena Macarena.

"É proibido tirar fotos sem que eu permita", o guia alerta logo na entrada. Mas nem sinal de bandidagem. "Não levo turistas para verem tráfico e pobreza, nem procuro por estes lugares. Há alguns anos, até cruzávamos com esta situação, mas hoje não. Como são  imagens fortes, são estas que acabam ficando na lembrança quando voltam para casa. O objetivo é explicar a nossa sociedade para o turista estrangeiro e o outro lado da favela", explica Marcelo Armstrong, idealizador do "Favela Tour", há 18 anos, que chega a levar mais de mil turistas por mês para Rocinha e Vila Canoas.

"Não sabia que qualquer um podia entrar na favela"

Motivado pelos filmes "Cidade de Deus" e "Cidade dos Homens", o português Diego, que já perdeu as contas de quantas vezes assistiu, queria muito pisar numa favela, mas esperava encontrar outro cenário. "Eu pensei que fosse sentir mais a presença de bandidos e drogas, mas sei que o filme é muito real. O que mais me chamou atenção foi saber que qualquer um pode entrar na favela. Eu achava que havia algum controle de carros e de pessoas", disse ele que sonha ir até a Cidade de Deus e a um baile funk.

Para Raffael Ricci, sociodiretor da Jeep Tour,  visitar favela para encontrar situações como essas já está antiquado. Para ele, hoje, os visitantes querem conferir o que há de positivo nela. "Nossa propaganda é contrária à dos filmes, queremos desmistificar essa imagem negativa. Quando eles chegam com a informação de que é um lugar violento eu digo que não é bem assim e acredito que eles compram o "tour" para comprovar se essa informação é verdadeira",  conta ele que, há 16 anos, leva cerca de 700 visitantes para a Rocinha e Santa Marta.

Que o diga a norte-americana Larry Naake: "Eu soube que o governo está investindo em serviço, saúde e melhorando a qualidade de vida dos moradores. Então vim ver com meus próprios olhos. E também o Mc Donalds, disse referindo-se ao Bobs da Rocinha.

Organização espontânea

Além de paradas para fotos e indicação de características locais, o passeio sinaliza a grande quantidade de comércio, transporte e as obras que estão sendo feitas na comunidade, como posto de saúde, complexo esportivo e saneamento básico.  Embora nem sempre, para os moradores, esses serviços funcionem devidamente, muitos ficaram surpresos.

"Vivi na periferia da China. A semelhança entre aqui e lá é o movimento. A diferença é que lá nada é tão próximo. Aqui as pessoas são mais organizadas, talvez pela ausência de pressão governamental, tem mais serviços e transportes. Os próprios moradores resolvem suas necessidades, podem colocar o tijolo onde e como quiser e são muito mais espontâneos", conta o sueco Sven Petterson.

"É tudo muito puro"

Ao fim do "tour", o fascínio e a satisfação foram provocados pelo cotidiano dos moradores que encontram beleza nos seus dias, apesar das adversidades.

"Quem é de fora acha a favela feia, mas do lado de dentro é bonita. Aqui nada é programado, é tudo muito puro, porque foi construído pelos próprios moradores, e isto me fascina. Claro que nunca ninguém vai ficar 24h descansado aqui, mas tem características boas de se viver que não tem em outros lugares", conclui o português Diego.



Fonte: Camila Elias - SRZD
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