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No Rio, PCdoB comandava projeto esportivo na Rocinha
Segundo Tempo
No Rio, PCdoB comandava projeto esportivo na Rocinha

Uruaramo Gávea Clube , local onde acontecia o projeto. Paulo Cesar Martins trabalhou no projeto - Foto: Domingos Peixoto

Cobrada pela Controladoria Geral da União (CGU) a devolver R$ 5,1 milhões aos cofres públicos por suspeitas de irregularidades no programa Segundo Tempo, do Ministério do Esporte, o Instituto Rumo Certo tinha como coordenador de seu principal núcleo, na Gávea, Zona Sul do Rio, Paulo César Martins Vieira, o Amendoim, filiado ao PCdoB. Entre 2004 e 2008 - período de duração do projeto -, a ONG recebeu R$ 11,3 milhões do governo federal.

Amendoim comandava o Segundo Tempo no Umuarama Gávea Clube, com sede localizada atrás da Rocinha, onde ele mora. À época, Amendoim, ligado à deputada federal Jandira Feghali, era secretário de comunicação do PCdoB e um dos representantes do partido dentro da comunidade. Em 2002, ele foi candidato a deputado federal e, em 2004, disputou uma cadeira de vereador. Nas duas vezes concorreu pela legenda e não foi eleito.

Idealizador do projeto se diz magoado pelos problemas

O programa acabou há três anos por falta de infra-estrutura após o Ministério do Esporte ter suspendido os repasses, segundo Amendoim. O clube, de propriedade particular e atualmente abandonado, foi arrendado para o Segundo Tempo pelo Rumo Certo com a ajuda de Furnas, segundo Amendoim.

Perguntado se sabia onde foram gastos os R$ 11,3 milhões do projeto, Amendoim afirmou:

- Se você souber (para onde foi o dinheiro), me diz que eu quero saber.

Conhecido como participante do extinto programa "No Limite", da Rede Globo, em 2000, Amendoim admitiu que, mesmo com os repasses, o Segundo Tempo enfrentava problemas, como atraso de até sete meses de salários dos professores e funcionários do programa. Ele negou o uso político:

- Nunca fiz campanha (no projeto). Quando fui candidato, em 2004, eu me afastei para não ter problemas.

Em reportagem publicada em 1º de abril de 2007, O GLOBO revelou irregularidades em 11 núcleos de esporte, no Rio, do Instituto Rumo Certo que tinham o Segundo Tempo. Em boa parte deles, não atendiam aos requisitos estabelecidos pelo Ministério do Esporte.

- Todos os recursos foram aplicados no programa. Passamos o dinheiro integralmente - disse Luiz Guilherme Neiva, presidente do Instituto Rumo Certo, entre 2004 e 2009 e que nega qualquer filiação partidária.

Técnico da seleção brasileira feminina de vôlei nos Jogos Olímpicos de 1980 e 1984, Ênio Figueiredo, foi o idealizador do projeto esportivo e coordenador até 2003, antes dos repasses do programa Segundo Tempo terem sido feitos. Magoado, Andrade abandonou a iniciativa por desentendimentos com a direção do Instituto Rumo Certo.

- O projeto era uma muito coisa séria. Foi decaindo e acabou. Mas eu não ia fazer campanha eleitoral boba, porca. Para onde foi o dinheiro? É isso que me magoa - lamentou Ênio Figueiredo.



Fonte: Cássio Bruno
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