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'Lindos visuais' e funk fazem parte do turismo nas favelas
Nas favelas cariocas, o turismo 'bomba', como diz o linguajar popular. A Rocinha é o 3º ponto turístico mais visitado do Rio, só perde para o Pão de Açúcar e o Cristo Redentor. Veja matéria da EFE
Lindos visuais e funk fazem parte do turismo nas favelasEsta modalidade de turismo também é conhecida como turismo de safári. Foto: Banco de Imagem

Além da angústia que causa um breve passeio rodeado por traficantes com fuzis em guarda, as favelas do Rio de Janeiro oferecem, do alto dos morros, vistas espetaculares das encantadoras praias cariocas e da Baía de Guanabara.

É o caso do Vidigal, próximo aos luxuosos bairros de Leblon e Ipanema. Lá, dezenas de motociclistas aguardam o turista em uma praça para levá-lo em questão de minutos ao alto do morro por R$ 3. Desse ponto, inicia-se um trajeto repleto de vegetação que por vezes impede o conforto de quem transita. O itinerário termina no alto do morro, de onde se pode contemplar um deslumbrante pôr-do-sol da Cidade Maravilhosa.

"Todo fim de semana vem muita gente, principalmente estrangeiros. Espero que esse número aumente se algum dia pacificarem o bairro", disse a dona de um pequeno bar situado no alto da favela, que em julho de 1980 foi visitada pelo papa João Paulo II durante sua primeira viagem pastoral ao Brasil.

Entre os ousados que visitam o alto do Vidigal, é costume descer o morro caminhando e parar nos vários mirantes naturais que compõem a paisagem do bairro.

Para aproveitar o potencial lucrativo do turismo nas favelas, surgiram agências que organizam passeios pela Rocinha, maior favela da cidade, onde a Polícia entrou em abril passado para buscar o chefe de uma das maiores facções criminosas do Rio.

Na internet, vários pacotes turísticos prometem ao turista conhecer a cultura de uma comunidade, dançar ao ritmo do funk carioca e fotografar uma paisagem apocalíptica, conformada por becos sinuosos e casebres ou barracos.

Dona Marta, o morro de Michael Jackson
Um cenário similar pode ser visto no morro Dona Marta, ocupado pela Polícia em novembro de 2008, que recebe o turista com um mapa onde se detalham os pontos de interesse aos visitantes. Um samba alegre empolga os turistas: é o ensaio de bateria da escola Mocidade Unida do Santa Marta, formada por crianças e adolescentes da comunidade.

Situado no bairro de Botafogo, o morro Dona Marta, reduto de traficantes no passado, ganhou fama em 1996, quando Michael Jackson gravou o clipe "They dont care about us". O Rei do Pop deixou a cidade após críticas de que teria pagado dinheiro ao crime organizado - que na época dominava a área - para garantir sua segurança durante as filmagens.

A visita de Michael, transformada desde então em uma referência, foi imortalizada no Dona Marta quando lá colocaram uma estátua do cantor e um retrato colorido de seu rosto, uma das principais atrações do morro. A escultura de Michael fica ao lado de um boteco próprio para o turista apreciar a inevitável e brasileiríssima caipirinha, ao som do Rei do Pop.

A homenagem ao artista americano fica perto do topo da favela, aonde se chega após atravessar labirínticos becos, marcados pelo odor do chorume do lixo acumulado e passando por valas de água e esgoto a céu aberto, que favorecem a proliferação de doenças.

A proximidade que o Dona Marta tem com o universo pop aumentou dois anos atrás, quando Madonna visitou a comunidade, sob estritas medidas de segurança, acompanhada de uma comitiva de guarda-costas.

No ano passado, o Governo estadual do Rio de Janeiro promoveu uma iniciativa para estimular o turismo nas favelas controladas pelas Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), contando com a colaboração de jovens dos bairros.

"Trabalho como guia no Dona Marta", afirmou o estudante de Turismo Gilson da Silva, de 33 anos, morador da favela. Ele conta que seu trabalho consiste em levar os turistas a um passeio completo pela comunidade por um preço que varia entre R$ 20 e R$ 25. "A maioria das pessoas quer ver aqui o que passa na televisão, mas é preciso explicar a elas que a mídia exagera muito", destacou o jovem.

No interior da comunidade, onde algumas vezes se recebe o turista com certa desconfiança, os moradores se queixam da falta de atenção que recebem das autoridades e criticam o esquecimento pelo qual passaram durante décadas. "A única coisa com que (os governantes) se preocupam é que a cidade esteja pronta para a Copa de 2014 e para os Jogos Olímpicos de 2016", lamenta um morador.

Sophie Dolors, turista francesa, preferiu ir ao Dona Marta na companhia da família e sem a presença de um guia. "Fomos muito bem recebidos pelas pessoas e até nos diziam para aproveitarmos a visita", disse Sophie à Efe, após terminar o passeio.

Surpreendida pela calorosa recepção, a jovem francesa afirmou ter escolhido o Dona Marta porque é uma das 17 favelas pacificadas e por causa da deslumbrante vista da cidade no topo do morro, onde se observa o contraste entre as humildes casas da comunidade e as luxuosas construções da baixa altitude da Zona Sul.

"Queríamos saber como é uma favela e a vida das pessoas que moram nela", afirmou Sophie, que disse ter se sentido segura durante todo o passeio.

Do alto, paisagem privilegiada
Não longe dali, no pacificado Morro da Babilônia, agências de turismo promovem passeios guiados com almoço e parada em escolas de samba da favela Chapéu-Mangueira. Deste morro situado entre os bairros do Leme e Urca, onde em 1959 foi gravado o filme "Orfeu Negro", há uma incrível panorâmica da praia de Copacabana.

A geografia privilegiada foi aproveitada por alguns moradores para construir terraços, onde promovem reuniões de família e assistem em primeiro plano a fantástica queima de fogos de artifício no Ano-Novo de Copacabana. "A vista que você tem aqui não encontra em nenhum outro lugar da cidade", afirmou à Efe César Severino, morador do Chapéu-Mangueira.

Os passeios turísticos pelas favelas, considerados um novo tipo de atração pelo caráter aventureiro, não são isentos de críticas. Muitos alegam que o tour pelos morros cariocas projeta uma imagem distorcida das comunidades e denigre a reputação da Cidade Maravilhosa. Já os defensores argumentam que esses passeios representam uma importante fonte de renda para famílias pobres e um modelo de desenvolvimento exportável a outras regiões humildes do país.



Fonte: EFE
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