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Quarta, 18 de Outubro de 2017
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Já sabemos o que a comunidade do Alemão pensa, e você?!
Um olhar de quem 'não pode' participar dessa guerra. Sobre a violência no Rio, Rocinha.org deu entrevistas para a CNN, uma tv da Argentina, jornais, sites e rádios do Brasil inteiro, mas, o que falar?
 Já sabemos o que a comunidade do Alemão pensa, e você?! Certo dia um coloborador de nossa ONG nos telefonou e disse algo no sentido de que estava aberta uma possibilidade muito legal, e que poderíamos enviar um projeto para a UPP Social. Não sabemos direito detalhes sobre as atividades da UPP Social, mas, imaginamos que sejam um conjunto de projetos sociais voltados para as comunidades pacificadas pelo Estado, ou seja, melhorias de caráter essencial que venham beneficiar as favelas que hoje são controladas pelas Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). Nossa amiga apenas esqueceu que a Rocinha não é uma comunidade pacificada. Imagine ficar levantando uma bandeira social da UPP numa favela em seu estado in natura? É complicado...

É verdade que após aquele episódio envolvendo a invasão do Hotel InterConinental em São Conrado, acendeu um certo sinal de alerta com relação a Rocinha e todo seu histórico relacionado á violência, que infelizmente maculam a imagem da maior comunidade. As imagens ganharam o mundo, a mídia foi implacável, e a opinião pública voraz, e quando isso acontece hoje, o remédio é a UPP. Até os meliantes sabem que o fato foi um verdadeiro tiro no pé, como também sabem que se fizer uma pesquisa na boca miúda, - preservando a integridade física e identidade do morador - sobre querer ou não uma dessas unidades na Rocinha, o sim será avassalador. É só ver o que anda acontecendo no Alemão.

É claro que muita gente vive a margem do tráfico, por força do consumo de drogas, histórico familiar, ou de outros motivos. Em muitos casos, alguns nasceram para o crime mesmo, não tem jeito. Mas na maioria das vezes o diabinho sedutor que leva o jovem pro caminho da marginalidade, poderia ter sido exorcizado antes, com um choque de educação, um choque de oportunidades, ou um choque de cidadania. O morro urra por isso. Muitas feridas não seriam abertas, muitas vidas seriam poupadas. O Alemão só chegou onde chegou pela ineficácia da mesma força que hoje o ataca.

Quando falamos de Um olhar de quem não pode participar dessa guerra, estamos dando margem para várias interpretações. É preciso interpretar corretamente. Na realidade, estamos no centro nervoso da guerra, participando ativamente, somos parte disso, pois somos da Rocinha! Somos uma ONG, um Portal, uma voz que ecoa do morro e que também clama por PAZ. Mas até para pedir paz tem que ter jeito. Rocinha.org prefere ficar na berlinda e dizer que prefere apenas que a comunidade fique em paz, é mais prudente.

Ligam da CNN, de Brasília, do exterior, de tudo que é lugar, e as perguntas dos jornalistas sempre convergem para um lugar comum, o tráfico. Todos querem saber se a Rocinha quer UPP. Pow que pergunta! Parece que os moradores do complexo do Alemão podem responder isso. Responder respaldado por um tanque de guerra e soldados camuflados fica mais fácil, se bem, que nós que somos oriundos da favela sabemos que ainda assim dá um friozinho na barriga... São muitos anos conhecendo apenas um lado...

Por favor, parem de perguntar essas coisas, será que vocês não sabem mesmo a resposta do povo?!



Fonte: Editoria Rocinha.org / Fotos: Agência O Globo e AP
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