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Quinta, 23 de Novembro de 2017
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ONG de esportes radicais cresce na Rocinha pacificada
O incentivo aos esportes radicais como skate, bicicleta e patins para as crianças e jovens da Rocinha é o objetivo de projeto inovador
 ONG de esportes radicais cresce na Rocinha pacificada Aulas gratuitas, fornecemos todos os equipamentos durante ás aulas, Inscrições no Complexo Esportivo da Rocinha (Foto: Paulo Roberto)
Em 1998, surgia dentro da maior favela da América Latina a SBR Rocinha Radical. O projeto se transformou em uma ONG que tinha como principal objetivo alavancar a prática do skate, da bicicleta e do patins entre as crianças e jovens da Rocinha. O local recebeu uma Unidade de Polícia Pacificadora no último mês, que tirou o tráfico para dar lugar aos policiais do Bope e às forças do Estado.
Idealizador do projeto, Rubens Carvalho é morador da Rocinha e pratica BMX, esporte que utiliza bicicletas especiais, há 15 anos. Segundo ele, os esportes radicais não eram conhecidos na favela antes da criação do projeto. Ele contou que a SBR virou referência para as crianças e jovens que começaram a praticar estes esportes.
"A gente andava, sempre andou por dentro da favela mesmo. As pessoas viam, se interessavam, e aos poucos a criançada começou a querer fazer parte desse grupo. Já vi muitas pessoas saindo de um mau caminho para ficar com a gente, e isso é muito gratificante", disse.
Um dos principais destaques da ONG é o patinador Maxwell Alexandre, de 21 anos. O estudante de Design equilibra o tempo entre viagens, campeonatos e os estudos muito bem, segundo ele. "Tem que dar tempo pra tudo", afirma. Conhecido como Max, ele faz parte de uma turma de brasileiros que é referência no esporte. Para ele, que patina há seis anos, o esporte faz parte da formação de sua identidade.
"O patins fez eu viajar, conhecer outras pessoas, outras culturas. É legal ir para fora do Rio, às vezes as pessoas não acreditam que você veio da Rocinha, ficam curiosas. Essa diversidade é o que vem me formando até hoje", afirma.
Há cerca de dois anos, um projeto do governo federal criou uma nova pista, adaptada para a prática dos esportes radicais, e que foi rapidamente adotada pelo projeto. A pista fica dentro do Complexo Esportivo da Rocinha. Segundo Rubens, o espaço contribuiu muito para a melhora dos atletas, que andavam pelas vielas espremidas da favela em meio a muitas pessoas. No entanto, ele afirma que esses meninos ainda precisam de muitas coisas.
"A gente precisa de ajuda do governo, de líderes comunitários para seguir em frente. Acredito que a pacificação vá contribuir para que as pessoas enxerguem a gente, mas não sei se será o bastante. Temos muitos talentos aqui que não brilham mais por falta de investimento".
Primeiro campeonato oficial da ONG dá gás aos atletas
No último dia três, a ONG fez seu primeiro grande campeonato, com patrocinadores e atletas profissionais que vieram de todas as partes do Brasil para participar do evento.
De acordo com o colaborador da ONG e organizador da competição, Raphael Medeiros, este é o evento mais "significativo" feito pela SBR em função dos patrocínios e também por causa da estrutura conquistada pelos atletas para a prática dos esportes radicais. Ele acredita que o momento de transição da Rocinha é essencial para o crescimento do projeto.
"Acho que fazer esse campeonato nesse momento é muito importante porque a Rocinha vive um momento de transição, não só física como cultural, como de identidade, os heróis estão mudando. Então tem espaço para novos heróis, tem espaço para novas referências, e o esporte radical está cheio delas", disse.
O cantor Gabriel O Pensador esteve no local para prestigiar os participantes e anunciar uma parceria de seu projeto, o Pensando Junto, que atende crianças e jovens da Rocinha proporcionando acesso à cultura e educação, e a SBR.
"Ainda vamos divulgar melhor essa parceria. Vamos juntar essas forças em 2012. Estamos organizando tudo para anunciar melhor os detalhes para vocês, mas desde já estou aqui para dar essa força, marcar presença na competição e para conferir de perto esse trabalho da SBR".
Os atletas que participaram representando a bicicleta e o patins disputaram nas modalidades Iniciante e Open, que são profissionais e amadores de alto nível que podem ter ou não patrocínio. No skate, só houve a modalidade Iniciante. Para participar não precisava ser morador da Rocinha, era só chegar lá e se inscrever dentro do próprio complexo.
De acordo com Raphael Medeiros, o objetivo da ONG é promover mais campeonatos a partir desse, principalmente para chamar a atenção das pessoas para os esportes radicais.
"O campeonato instiga o jovem a treinar, a querer participar, e isso sempre contribui para a evolução do esporte. A ideia é fazer mais e mais eventos como este".


Fonte: Marianna Ribeiro
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