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UPP: a hora e a vez da Rocinha
Criador do projeto Barraco a Dentro, Cleber Araujo, um jornalista morador da Rocinha escreve artigo sobre as meia verdades que existem em torno da eminente ocupação da Rocinha pelo Estado
    UPP: a hora e a vez da Rocinha Vista aérea da Rocinha, localizada em São Conrado, zona sul do Rio de Janeiro. Foto Genilson Araujo

Numa guerra particular por audiência, a instalação da UPP na Favela da Rocinha é o principal assunto midiático. Na verdade, não se fala em outra coisa. Na tentativa de conquistar um número maior de telespectador, as emissoras estão 24 horas focadas nesse acontecimento histórico prestigiando o público com uma cobertura "exclusiva", com jornalistas posicionados nas principais vias de acesso a comunidade prontos para entrar em operação junto com a polícia - dispostos a arriscar a vida por uma matéria sensacionalista. Não podemos esquecer os especialistas e não-especialistas esclarecendo a sociedade sobre todo o processo de ocupação.

Foi justamente as meias verdades ditas pelos não-especialistas que me motivou a escrever esse artigo. Vamos a elas:

O governo está retomando as áreas ocupadas pelas facções criminosas. É importante questionar e refletir sobre essa afirmação. As facções criminosas só se desenvolveram e se organizaram em áreas abandonadas pelo Estado, ou seja, nas favelas. Que nunca contaram com a presença do Estado nos setores de educação, saúde, saneamento básico, esporte, lazer, cultura e segurança pública. Então, como pode o governo está retomando essas áreas?

Os moradores da Rocinha são reféns do tráfico. Outra meia verdade. Não me entendam mal, não estou aqui para defender bandidos. Mas na Rocinha - estou falando exclusivamente da realidade dessa comunidade - os traficantes não impediam o direito de ir e vir das pessoas; não determinavam horários de chegar ou sair; nem sequer paravam visitantes para saber para onde estavam indo, até porque numa comunidade onde vive mais de 100 mil habitantes é difícil saber quem é morador e quem não é. Os moradores são na verdade reféns do medo de uma guerra interna entre bandidos, da tentativa de invasão de outra facção para tomar o poder e até mesmo de um possível confronto entre bandidos e polícia. Medo de estar no local errado, na hora errada e acabar sendo vítima dessa guerra urbana que tira a vida de tantos inocentes.

Também gostaria de responder a pergunta clássica feita pelos jornalistas aos moradores da Rocinha sobre a perspectiva em relação a instalação da UPP na comunidade

A resposta também já se tornou clássica: MELHORIAS. A perspectiva de todos os moradores de comunidades periféricas com a chegada da UPP é de melhorias. Mas não relacionado diretamente a presença da polícia. Somente a instalação de uma UPP não muda em nada a realidade do cidadão de bem da Favela. Para entender o significado da resposta é preciso contextualizar a palavra MELHORIAS a esperança dos moradores numa nova relação política, em que o Estado se faça presente no cotidiano da comunidade em outros setores sociais e políticos além da segurança pública.

A esperança de todos na comunidade é que a instalação da UPP na Rocinha não seja apenas para fazer média com a sociedade, mas que seja para o BEM-COMUM. Que não seja somente o símbolo da conquista de um território que antes estava entregue nas mãos do poder paralelo, mas que seja o símbolo histórico da primeira etapa da apropriação do Estado sobre comunidades que antes se encontravam abandonadas a própria sorte.



Fonte: Cleber Araujo, jornalista e morador da Rocinha (cleberaraujo@barracoadentro.com)
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Luiz Felipe Mallmann de Magalhães
Postado 7/2/2012 11:28:34
Jornalista Cleber Meus cumprimentos pelas colocações. Concordo com você! Att, Luiz Felipe Mallmann de Magalhães Advogado www.luizfelipemagalhaes.com.br
O mais autêntico Blog da Rocinha. Matérias dos tempos antigos e posts do primeiro site www.rocinha.org estão na área de Blog

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