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Internet: nome de domínio .xxx enfim é aprovado pelo ICANN
O organismo que regula a Internet, o ICANN (Internet Corporation for Assigned Names and Numbers), aprovou a criação do domínio .xxx, dando luz verde a um polémico red light district do ciberespaço
Internet: nome de domínio .xxx enfim é aprovado pelo ICANN

Esta decisão acontece depois de, em 2007, o mesmo ICANN ter bloqueado a pré-aprovação do domínio .xxx. A decisão foi agora revertida - numa altura em que o organismo já não recebe tantas pressões políticas por parte da Administração republicana de George W. Bush -, embora alguns elementos da direcção do ICANN tenham manifestado a sua contrariedade.

Os defensores do domínio alegam que este “quarteirão vermelho” da Internet passará a ser um lugar iluminado, limpo, legal e livre de vírus e de malware.

O presidente da empresa norte-americana ICM Registry (que regista nomes de domínios e que tenta, desde 2003, registar o .xxx), Stuart Lawley, alega que as vantagens são várias: quem passar a aceder ao domínio .xxx passa a ter conteúdos para adultos com um determinado padrão de qualidade e sem os riscos de encontrar vírus e malware a cada passo, ao contrário do que se passa hoje em dia, com milhares de sites que são campo aberto para toda a espécie de predadores informáticos.

Há ainda outra vantagem: Lawley diz que não irá tolerar que o novo domínio albergue pornografia infantil e que parte dos lucros que irá obter com a venda de nomes de registo irá reverter para campanhas de protecção de menores. O responsável também já sublinhou que todos aqueles que se registarem no novo domínio terão de aderir a um código de conduta que facilite a detecção de situações de abusos de menores.

Stuart Lawley fez ainda saber que considera esta aprovação uma medida “histórica” e sublinhou que os primeiros sites .xxx poderão ficar online a partir de Junho ou Julho deste ano.

De acordo com um comunicado divulgado pela ICM Registry, o novo nome de domínio será regulado pelo IFFOR, descrito como uma entidade independente não-lucrativa composta por sete vigilantes, incluindo um representante da protecção de menores, um especialista em privacidade e segurança online e representantes da indústria pornográfica.

Indústria porno de pé atrás

Os críticos avisam, porém, que o .xxx se pode transformar num “gueto”, à mercê de lobbies religiosos. Grupos conservadores já se têm pronunciado contra esta medida. A direita religiosa, que em 2005 tinha feito pressão para que o ICANN não aprovasse o .xxx, considera que a aprovação deste domínio facilita o deboche, é carta branca à introdução de mais material “repugnante” na Net e, simplesmente, uma maneira mais fácil de os menores acederem a conteúdos para adultos.

E nem mesmo as empresas de sexo parecem querer mudar-se para este novo “quarteirão vermelho”.

Contactada recentemente pelo PÚBLICO, Diane Duke, a directora executiva da Free Speech Coalition — a associação norte-americana de pornografia e entretenimento para adultos dos EUA que reúne milhares de empresas nacionais e da qual faz parte, entre outros, o império “Hustler” —, indicou que a entrada em funções do domínio .xxx poderá conduzir os sites de entretenimento para adultos a um “gueto porno”, tornando-os alvo fácil para os grupos religiosos e para os legisladores ultraconservadores, que poderão forçar todos os empresários da indústria a deixar os outros domínios, como o .com e o .net.

Os defensores da liberdade de expressão temem igualmente que conteúdos controversos, como a homossexualidade, sejam igualmente “chutados” para o novo domínio pelos conservadores norte-americanos.

“Além disso, muitos negócios ver-se-ão obrigados a registar defensivamente os seus nomes de domínio, numa tentativa de protegerem as suas marcas. A indústria de entretenimento para adultos já foi severamente atingida pela pirataria e pela recessão e, especialmente agora, não precisamos de gastar dinheiro que não temos num produto que não queremos. Isto será mau para o negócio”, frisou ainda Diane Duke.

Este novo domínio poderá, isso sim, ser uma mina de ouro para a ICM Registry. Marcas respeitáveis que não quererão ter nada a ver com a indústria de entretenimento para adultos (como por exemplo a Disney.com) poderão igualmente ceder à tentação de comprar registos no novo domínio, apenas para depois redireccionarem as pessoas para as suas páginas oficiais.A adopção deste novo Top Level Domain (TLD) será totalmente voluntária. Ou seja, ninguém obriga as empresas que já vendem conteúdos pornográficos online a mudarem-se da cidade dot-com para o bairro dot-xxx. O ICANN — o organismo norte-americano que regula os nomes dos domínios na Internet — opera numa lógica de neutralidade da Net, pelo que se limitou a pré-aprovar essa possibilidade, não havendo aqui qualquer obrigatoriedade de mudança.

O que é facto é que a indústria de entretenimento para adultos é muito vasta, havendo lugar para todos. De acordo com números da Internet Pornography Statistics, são gastos mais de três mil dólares por segundo em pornografia online e a palavra “sexo” é o termo mais pesquisado em todo o mundo, representando 25 por cento de todas as pesquisas de Internet. De acordo com a Reuters, com os 370 milhões de sites pornográficos que se estima existirem actualmente na Internet, o domínio .xxx poderá vir a transformar-se num dos mais vastos repositórios de conteúdos online. Ou não.



Fonte: Público / Foto: Banco de Imagens
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