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Quarta, 17 de Outubro de 2018
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Em 20 minutos, Obama v show e erra embaixadinha na CDD
Passagem pela comunidade da Cidade de Deus foi um dos 'eventos culturais' da visita. Visita-relmpago teve no aceno final um momento de descontrao
Em 20 minutos, Obama v show e erra embaixadinha na CDD

Obama acena para moradores que, da sacada, acompanhavam visita. Foto: Alexandre Durão/G1

Nem os tanques do Exército, nem o policiamento ostensivo intimidaram os moradores da Cidade de Deus em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Na comunidade, crianças e idosos se espremeram em lajes na busca de um melhor lugar para ver a visita, que durou pouco mais de 20 minutos.

"É um momento histórico para a gente", disse o motorista José Carlos Melo, de 50 anos, que passou a noite acordado com os vizinhos em uma vigília por Obama. "Vale a pena, é a nossa comunidade sendo valorizada", disse ele.

Por volta das 11h20, uma comitiva de mais de dez carros luxuosos anunciava a presença da família Obama na comunidade. No banco traseiro de um dos veículos, Barack e Michelle acenavam.

Aos gritos de "Obama, Obama", o presidente e a esposa, acompanhados das famílias Malia e Sasha, entraram na Fundação de Apoio à Infância e Adolescência (FIA), para um espetáculo de percussão e capoeira, apresentado por crianças e adolescentes da Cidade de Deus. Logo na chegada, o chefe de Estado cumprimentou pais e alunos, e se dirigiu a crianças que brincavam com uma bola. Arriscou embaixadinhas. Sem intimidade com a bola no pé, desistiu.

Na apresentação de capoeira e percussão, Obama se mostrou mais animado que o resto da família. A mulher e as filhas já haviam participado de um evento semelhante em Brasília no sábado (19).

Antes de deixar a comunidade, Obama, de fora do carro, distribuiu acenos e sorrisos. A dona de casa Anderlúcia Nogueira, de 39 anos, levantou às 6 da manhã para reservar um melhor lugar na laje da vizinha. O sacrifício compensou, pois ela conseguiu ver o presidente de perto. "Mandei um beijo para ele e tenho certeza que ele acenou em retribuição. Estou muito contente."

Para a estudante de enfermagem Tamara Rúbia de 20 anos, Obama é mais bonito e mais alto do que parece na TV. "Ele é um coroa vistoso. Um preto de tirar chapéu. Só queria que ele acabasse com a exigência de visto para universitários brasileiros. Sou estudante da Uerj e tive o visto negado para fazer um intercâmbio."

O artista plástico Edson Souza fez um curso de cinema nos Estados Unidos por seis meses e disse que jamais esperaria que Obama fosse um dia conhecer o bairro onde nasceu. "Fui muito bem recebido nos Estados Unidos e faço questão de receber bem o presidente deles aqui."

No fim da curta passagem pela comunidade, o radialista Roberto Cavalcante, de 38 anos, atirou uma camisa da seleção brasileira sobre o carro de Obama, sem medo do Serviço Secreto americano. "Queria que ele tivesse uma lembrança boa do Brasil", contou.



Fonte: Marilia Juste e Tssia Thum
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