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'Rap das Armas' é a música da moda no país da Copa
Rap das Armas é a música da moda no país da CopaJunior e Leonardo, MCs da Rocinha. Foto: Guilherme Pinto, Extra

A história do "Rap das Armas" nem sempre foi de alegria para os autores, Cidinho e Doca, que também fizeram sucesso com o "Rap da Felicidade" (do verso “Eu só quero é ser feliz / E andar tranquilamente na favela que eu nasci”). A dupla lançou a música em 1995 com polêmica: a letra completa tinha várias referências ao tráfico de drogas. Era um “proibidão”, nome dado pelos funkeiros aos raps que não tocavam em rádios por causa da apologia ao crime.

- Fomos prestar depoimento na polícia e tudo isso assustou a gente. Nós éramos muito novos. Não falávamos na maldade, falávamos o que a gente via na nossa realidade na favela. Falamos a verdade na polícia, que a música era nossa, nossa voz está la, mas que a gente relata o que vemos. Não podem proibir a gente de cantar o que a gente vê – lembrou Doca.

Como o refrão, que imita som de tiros, fez sucesso mesmo sendo “proibido”, o DJ Marlboro lançou com a dupla Júnior e Leonardo uma versão mais leve do "Rap das Armas", sem citar o crime organizado. Na primeira versão do filme "Tropa de Elite", que foi vendida no mercado pirata do Rio de Janeiro, a gravação escolhida era a de Cidinho e Doca, com trechos do funk original. E foi esse o “proibidão”, mas sem toda a letra cantada, que acabou estourando fora do Brasil.

- Sei que é uma música antiga e que o som do refrão é barulho de arma. Mas não entendemos a letra como um rap proibido. Muito menos os sul-africanos, que não falam português. Sei que é uma música de favela, de periferia, um símbolo do Rio de Janeiro – disse Augusto, da Latinova.

- Eles já até tiveram problema na polícia por causa da música. Mas fizemos uma versão só com o refrão, não utilizamos o restante. Virou sucesso na Europa, vendeu discos de platina na Holanda e na Suécia, de ouro em Portugal – completou Antônio.

Na Latinova, o DJ sul-africano Floyd só chama o funk de “Parapapapapa”. É assim que ele é conhecido no país. O ritmo gruda no ouvido e em poucos minutos quem está no ambiente cantarola o refrão. Feliz pelo sucesso, Doca só lamenta uma coisa: o retorno financeiro não o satisfaz.

- Não recebemos nem 10% do que merecíamos. O funk ainda é muito descriminado. As pessoas não caíram na real que o funk é cultura e sustenta muita família. A gente não ganha dinheiro com funk. A gente sobrevive com funk.

Como o "Rap das Armas" foi estourar na África do Sul? Um ponto em que todos envolvidos concordam é que a música partiu foi projetada a partir do filme "Tropa de Elite" para as pistas de dança da Europa, passando também a ser cantada nas arquibancadas de França e Suécia. O português Antônio Rocha ouviu o funk no filme e contratou Cidinho e Doca para shows no Velho Continente. Ele garante também que é o responsável por divulgar a música na África.

- Quem enviou a música para o mundo todo foi minha produtora. Fizemos essa divulgação. Vi o filme e adorei o "Rap das Armas". Depois fui ao Brasil e foi difícil encontrar a dupla, mas consegui. Conheci a realidade deles na Cidade de Deus, ficamos amigos e os levei para shows na Europa. Só em Portugal, em dois anos, foram mais de 100 apresentações – contou Antônio.



Fonte: G1 / Foto: Banco de Imagens
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Bruno - Salvador - Bahia
Postado 31/8/2011 22:53:00
O funk ainda continua sendo bastante discriminado mesmo,mais em contrapartida faz sucesso. Agora é de indginar ouvir esses guerreiros Mcs falarem que não ganham NEM 10% do sucesso que eles criaram pro Brasil, depois querem proibir os mcs de cantarem a verdadeira realidade na qual nao somente a rocinha, mais todas as favelas brasileiras vivencião. Abraços a todos os Mcs que contribuiram para esse funk se agregasse a nossa cultura.
cassio
Postado 12/8/2010 21:56:07
desde quando comecei ouvuir funk.sempre gostei das letrasde junior eleonardo,cidinho edoca... sou do espirito santo, mas sempre a rocinha me fascinou . que "favela"linda, pessoas todas gente boa. ROCINHA NUMERO 1... VALEU!!!!!!!!!!
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