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Conheça Alex MPC, o mentor do hit 'Aquecimento da Globo'
Conheça Alex MPC, o mentor do hit Aquecimento da Globo

O DJ Alex MPC/ Foto Camilla Maia

Alex MPC pede licença. Ele quer fumar. O prodígio do funk deixa o estúdio, improvisado num dos quartos do seu pequeno apartamento, em Vila Valqueire, e acende um cigarro na área externa, encostado na máquina de lavar. Depois de uma longa tragada, fumaça e desabafo saem juntos de sua boca.

- Eu queria experimentar novos sons, mas às vezes isso parece muito complicado dentro do funk. Me sinto um pouco preso - conta ele, antes de apagar o cigarro e brincar com o filho, Gabriel, de quatro anos. - Queria parar de fumar também.

Aos 28 anos, Alex vive um momento de alta ansiedade. Por causa da sua capacidade como produtor e da incrível habilidade no instrumento que adotou no nome artístico, ele é considerado uma das grandes esperanças de renovação do funk (veja Alex em ação) .

- O Alex é incrivelmente talentoso - diz Fernanda Abreu, admiradora confessa. - Eu fico impressionada com a facilidade com que ele faz as programações na bateria eletrônica.

Cria do DJ Marlboro, que o importou de Itatiaia, Alex fez bases para o filme "Tropa de elite" e criou, ano passado, uma música com uma vinheta da Rede Globo que, de tão original, já teve mais de três milhões de acessos no YouTube (ouça aqui) .

- Ele entrou em contato comigo pelo msn, há uns seis anos. O Alex morava em Itatiaia, onde não tinha muita perspectiva - conta Marlboro. - Aí o trouxe para o Rio e o botei morando no meu estúdio. O Alex já tinha muito talento, só faltava se aprimorar. Por isso, dei a ele a sua primeira bateria eletrônica, da mesma forma como o Hermano Vianna me deu a minha primeira, há muito tempo. Foi graças a isso, que nasceu o movimento funk. Dando uma MPC para o Alex, eu quis dar uma continuidade a esse processo.

Ao mesmo tempo, para se manter, Alex tem que tocar proibidões e hits de apelo sexual no baile que faz no Buraco Quente, na Mangueira, às sextas.

- É complicado. Se eu tocar coisas diferentes, as pessoas vão reclamar. E não posso perder público, não posso deixar de tocar. Tenho dois filhos para sustentar. Fiz só até a quinta série. Não sei fazer outra coisa além de música.

Para Sany Pitbull, fera do novo funk, Alex está andando na beira do abismo.

- Ele está na linha entre o sonho e a realidade. Lembra o cara que canta proibidão nos bailes porque precisa dos R$50 que vai ganhar para pagar a conta de luz. O Alex é um talento extraordinário, mas tem que se cuidar com as armadilhas da vida

Fora dos bailes, Alex fez músicas para Buchecha, Perlla e Gaiola das Popozudas, entre outros nomes do funk.

- Mas o meu sonho é ser igual ao Quincy Jones, produzir músicas que sejam eternas.

Enquanto a hora não chega, Alex vai se virando como pode. No estúdio, o PC onde faz as músicas trava diversas vezes enquanto tenta mostrar como compõe. Para piorar, ele acaba de descobrir que a MPC está quebrada.

- Acho que foram as crianças. Elas não podem entrar aqui no estúdio - reclama ele, enquanto tenta consertar o aparelho com uma caneta.

Quando o computador, enfim, colabora, Alex mostra algumas das músicas que têm feito. Uma, de batida forte e marcante, lembra o dancehall (o hip hop da Jamaica). Outra, parece uma incursão de will. i. am. (do Black Eyed Peas) pelo funk. Uma terceira, bem menos impressionante, tenta misturar o batidão com...pagode.

- O Alex tem essa ansiedade de fazer coisas novas e querer acertar logo. Isso é muito bom por um lado - diz Marlboro. - Mas ele tem que ter paciência também. Tem que plantar, arar e colher. Eu sei porque levei trinta anos para chegar onde estou.



Fonte: Carlos Albuquerque
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