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Considerado pai do hip hop e do funk carioca, Afrika Bambaataa faz show no Rio
Considerado pai do hip hop e do funk carioca, Afrika Bambaataa faz show no Rio

Afrika Bambataa  no circo voador-  Foto Leonardo Aversa  /  Agencia O Globo

RIO - O Padrinho está na cidade. O homem que no início da década de 1980 plantou as bases do hip hop - e, consequentemente, de boa parte da música pop e eletrônica que se produz hoje no mundo, incluindo o funk carioca - está desde terça-feira no Rio, mais uma vez, para dar a partida em uma turnê nacional que começa esta quinta no Circo Voador, em noite com a participação de Mr. Catra e Marcelo D2. Sua figura gigantesca, o séquito que o acompanha e seu discurso filosófico-apocalíptico-conspiratório fazem Afrika Bambaataa parecer um líder religioso ou um patriarca de uma máfia do bem. Na base de sua Zulu Nation (organização de ambições planetárias criada para difundir valores como amor, solidariedade e compreensão), porém, está um desejo simples:

- Quando comecei a misturar sons (a eletrônica cerebral de Kraftwerk com o suingue do funk de George Clinton na fundadora "Planet Rock", por exemplo), queria apenas que as pessoas do mundo inteiro pudessem festejar juntas, sob o som do funk - conta Bambaataa, cuja influência pode ser claramente ouvida hoje em canções como "Boom boom pow", hit dos Black Eyed Peas. - Porque pode ser funk carioca, electro funk, hip hop funk, techno funk, rock funk. Mas sempre funk. Sempre fazendo as pessoas dançarem com a música ("Dance to the music"), como Sly & The Family Stone diziam.

Nem sempre Bambaataa foi um pregador da paz universal. Nascido Kevin Donovan, cresceu no Bronx, onde se tornou um líder da gangue Black Spades, uma das mais fortes da região. Até que, numa viagem pela África no início dos anos 1970, assistiu ao filme "Zulu", sobre a luta entre africanos e ingleses no século XIX. Do documentário, retirou o nome Afrika Bambaataa e decidiu dedicar esforços a cooptar jovens das gangues para sua própria Nação Zulu.

As fronteiras de sua pátria intercontinental se expandiram e logo bateram no Brasil e, especialmente, no Rio. Impossível não ouvir "Planet Rock" sem pensar no funk carioca da década de 1980. Aqui, seus ensinamentos ("Os mandamentos que eu sigo são da Zulu Nation", explicita Marcelo D2 em "Vai vendo") ganharam outras cores e sons, mas Bambaataa ainda se reconhece neles:

- Vejo minha música no funk carioca, definitivamente. É tudo parte do electro funk, é minha família. Aqui, são usados mais os ritmos mais próximos da África (a batida do funk conhecida como "tamborzão" seria um exemplo) . O samba (base da alquimia que D2 usa em seu CD "À procura da batida perfeita", cujo título é outra citação a Bambaataa, autor de "Looking for the perfect beat") tem um feeling da África. É realmente quente. E há o canto em português, que soa diferente do inglês - diz o DJ, que conhece Mr. Catra e Marcelo D2 de outros bailes. - Fui apresentado a Catra há alguns anos. Fomos à sua casa, fizemos uns funks juntos. E estive muitas vezes no palco com Marcelo D2, saímos juntos. É um bom irmão. Aqui, estaremos todos no palco, vou pôr músicas para as pessoas sacudirem seus corpos, se divertirem, esquecerem seus problemas e deixarem seus espíritos livres. Nós três não ensaiaremos. Será apenas "cheguem aí e divirtam-se".

Colecionador de discos com ouvidos abertos para os mais diferentes ritmos do mundo, Bambaataa tem um conhecimento da música brasileira que vai além do funk e do hip hop locais:

- Ouço Tim Maia, BNegão, Bing Man (seu parceiro e amigo), Ed Motta, coisas do funk mais antigo como Gerson King Combo e a Black Rio original. E gosto de bossa nova também, João Gilberto e... aquele cara de "Mas que nada", como é o nome dele? Sergio Mendes - lista Bambaataa, que vem tendo seus passos no Brasil registrados pelo cineasta Paulinho Sacramento para o documentário "35 anos de hip hop - Afrika Bambaataa brazilian tour 2010".

Ao falar do Brasil, ele revela o desejo utópico de construir, com dinheiro de doações, enormes edifícios, centros culturais da Universal Zulu Nation, em cidades do país como Rio, São Paulo e Brasília e em outros lugares do mundo.

- São centros culturais para que jovens possam falar de seus problemas, do que estão pensando, do que estão fazendo. Algo como uma ONU do povo, um Madison Square Garden para o povo. Espaços para espalhar o conhecimento. Porque as pessoas precisam pensar... Do que vocês eram chamados antes de 1492? Os negros que estavam aqui quando Colombo e os portugueses chegaram? Quando pensarmos nisso, então entenderemos que os negros não vieram apenas nos navios negreiros, como conta a História portuguesa. Muitos dos negros que vivem na América hoje são filhos desses que vieram antes deles. Esse é o tipo de História que deveria estar sendo ensinada às pessoas do povo, em vez de continuarem lhes dizendo que elas vieram como escravos.



Fonte: O Globo
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