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Sexta, 22 de Setembro de 2017
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Política do lixo - Por: Ateneia Feijó
"Sou e sempre fui contra construções de moradias em áreas de risco" / "Em caso de vida ou morte, radicalizo" (Ateneia Feijó)
Política do lixo - Por: Ateneia FeijóAntes que alguém se esqueça... Sou e sempre fui contra construções de moradias em áreas de risco. Sejam em encostas de morros, em baixadas pantanosas, mangues, margens de rios, de lagoas, de vias férreas ou de rodovias. E, obviamente, em lixões. Em caso de vida ou morte, radicalizo.

Portanto, é coerente que me mantenha favorável à urbanização de favelas consolidadas. Por quê? Para começar, urbanização pressupõe remoção de construções em áreas de risco! Além disso, exige ações pacificadoras, estudos geotécnicos, saneamento básico, titulações (pagamento de IPTU), endereços legais e ecolimites.

Pressupõe ruas e vielas com serviços de luz e gás dentro da formalidade. Áreas de lazer, creches, escolas, postos de saúde, casas com reboco, coloridas... E tudo mais que traga auto-estima e civilidade para a vida urbana de todos nós.

Se isso não acontece, não dá para culpar os moradores das favelas ou as comunidades. Cada qual com sua própria história. Algumas viraram bairros populares como a Rocinha, iniciada antes da abertura do túnel Zuzu Angel e da construção dos condomínios de São Conrado; da época em que as lagoas da Barra da Tijuca eram despoluídas e a região desprezada pela especulação imobiliária.

A origem das desgraças é a radicalização burra e desumana de adversários políticos que costumam sabotar qualquer processo inteligente e justo de programas habitacionais. Ela não permite remoções, mesmo as de urgência urgentíssima. Tampouco, uma urbanização com a seriedade técnica necessária. Em tudo vê apenas uma possibilidade eleitoreira. Ignora que há momentos de esforço suprapartidário e de trabalho preventivo.

Pior ainda é descobrir um assustador despreparo de assessores em gabinetes públicos. Sem conhecimentos imprescindíveis para o cargo, eles não conseguem dar importância a estudos técnicos que avisam da possibilidade de alguma catástrofe. Prevenção? Que chatice. Se houver problema, o sucessor que responda. E assim vai.

Se o olhar da política barata se fixa apenas nos resultados imediatos, como esperar de moradores em risco a preocupação com dias futuros?

A tragédia na favela do Bumba denunciou a dramaticidade da questão do lixo. Porém, percebe-se que apesar de chocada e abalada, grande parte da população de quase todas as classes sociais ainda não está ligada na realidade em que todos vivemos. A ficha não caiu.

Difícil? Sim. Tempos atrás não era fácil para ninguém se convencer que lixo é assunto sério. Que ocupa cada vez mais espaço, polui, degrada o ambiente, mata. Mas a partir de cuidados especiais, de estudos e pesquisas pode ser reciclado para diversos usos. Pode até se transformar em energia.

Da mesma forma, ainda custa bastante para muitas pessoas admitir que a cidade não é estática. Não é porque se fez isso e aquilo que pronta ela está. Qual nada. Haja manutenção, reformas e restaurações. E... A dinâmica continua.

A cidade é um organismo vivo com um bairro bombando aqui, um decadente acolá, outro se revitalizando ali, e aquele se estendendo por onde não deve. Os bairros! E os habitantes? Com mais educação ambiental, todos moraríamos bem e seríamos melhores cidadãos.



Fonte: Ateneia Feijó é jornalista
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