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Varal de Lembranças: O tempo dos lotações amarelinhos
Velhos lotações embalaram a realidade dos anos 70 pelas sinuosas curvas da Rocinha
Varal de Lembranças: O tempo dos lotações amarelinhos"Lá pra 1950, 60 começaram a surgir políticos por aqui, alguém interessado, mas só na base da conversa. O mais conhecido aqui, quando a política entrou em ação, era a política do Adhemar, do Tenório, do Amaral Peixoto. Tinha o Lacerda também. O primeiro que iniciou aqui foi o Amando da Fonseca, foi pra deputado, se não me engano. Por aí, continuou a vida. Prometendo, dando, não dando. Os transportes foram melhorando. Aqueles transportes precários, que eram individual, foram desaparecendo. Foi entrando empresa de ônibus. Tinha os amarelinhos. Aqueles lotações. Eu tenho guardado um recorte de jornal que conta essa história." Lindolfo Soares da Silva (Do livro: Varal de Lembranças) 10/11/1981

NA ROCINHA.O SUCESSO DOS VELHOS LOTAÇÕES:

O Rio de Janeiro continua a ter sete lotações, servindo a uma população de mais de cem mil pessoas: são os da linha 546 (Praça Santos Dumont - Favela da Rocinha) dirigidos por motoristas profissionais que são os donos dos veículos, antigos Mercedes-Benz fabricados há dezenove anos, mas em bom estado de conservação. Com cinco quilômetros de extensão, muita ladeira e dezessete curvas fechadas da estrada da Gávea, a linha existe há doze anos, sempre disputada nas horas de rush, quando viajam trinta passageiros sentados e o resto como puder. O preço (Cr$ 1,20) permite a cada motorista um salário médio mensal (Cr$ 4 mil), já que a metade da féria diária é gasta em combustível, peças, pneus e na manutenção feita "no fundo do quintal". Em 1947, já existia uma linha de ônibus entre o Bar Vinte (final da Rua Visconde de Pirajá, Ipanema) e a Favela da Rocinha, então uma comunidade com algumas chácaras e boas casas de alvenaria. O itinerário dos ônibus era pela Avenida Niemeyer, com o ponto final no início da Estrada da Gávea. Depois, a empresa Taú Transportes Unidos colocou ônibus até a Rua 1, já na favela, que tinham como grande inconveniente o tamanho: subiam pela Marquês de São Vicente e depois pelo outro lado da Estrada da Gávea. Em 1965, o Governo Carlos Lacerda acabou com os lotações e como a empresa Taú desistiu de continuar na linha, permitiu-se que alguns lotações fizessem o percurso. Sem uma empresa que os agrupasse, sete motoristas decidiram comprar um desses veículos e explorar a linha. Foram eles: Daniel, José, Fernando, Mineiro, Machado, Brau e Zezinho. Quanto aos sobrenomes - dizem eles - "não interessam, porque são esses os nomes de guerra". Sobre a importância dos únicos lotações em circulação na cidade, lembra que, recentemente, a atriz Sônia Braga passou um dia inteiro filmando em seu veículo A Dama do Lotação que vai entrar em cartaz em agosto. E depois argumenta: "Se não fosse a linha 546, o filme não sairia". O primeiro carro a sair da favela da Rocinha, ás cinco e meia, já vem com todos os seus trinta lugares lotados e depois, de dez em dez minutos, há muita confusão na fila, porque ninguém quer chegar tarde no trabalho. Até às oito e meia o movimento é grande e por isso a féria da manhã chega aos trezentos cruzeiros. À tarde, o movimento volta a ser intenso por volta das quatro horas e só acaba depois das oito horas. Até a última viagem de descida, aos trinta minutos, dá para recolher mais quatrocentos cruzeiros. E tudo recomeça às cinco e meia, outra disputada primeira viagem do dia. A féria de setecentos cruzeiros para cada carro significaria uma excelente rentabilidade se não fossem as despesas com combustível (óleo diesel), pneus (Cr$ 2.700 a cada, trocados de três em três meses) peças (que muitas vezes custam muito caro) e a manutenção constante, feita "no fundo do quintal" pelos motoristas que entendem de mecânica e que tem de ser muito bem feita porque o Departamento Geral de Transportes Concedidos (DGTC) exige uma vistoria de noventa em noventa dias. Descontadas as despesas, a féria diária não chega aos trezentos cruzeiros, o que no fim de um mês representa um salário médio de quatro mil para o dono que dirige o lotação pelo trajeto de ladeiras, enfrentando, somente na Estrada da Gávea, dezessete curvas fechadas que "exigem bom golpe de vista e muita força nos braços". Para a garotada que apanha carona pendurada na porta, os lotações são os cata-mendigos e para os motoristas, seus passageiros parecem aves de arribação. Mas para a população da Rocinha, os lotações continuam sendo um meio de transporte válido, rápido e até mesmo eficiente há doze anos.

Sérgio Fleury (Jornal do Brasil - 27/05/1977)



Fonte: Do livro Varal de Lembranças
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Amara dos santos principe
Postado 27/11/2011 11:36:03
Viagei no tempo,morei na Rocinha 30 anos,casei la,to muito feliz,co este siti,abraços a todos.
Rafael Almeida de Barcellos
Postado 16/11/2011 07:36:44
Parabens pela iniciaiva
corado
Postado 18/6/2011 23:45:24
porque tirou as fotos do desfie dos brocos da estrada da gavea antigas
O mais autêntico Blog da Rocinha. Matérias dos tempos antigos e posts do primeiro site www.rocinha.org estão na área de Blog

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