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Quinta, 27 de Julho de 2017
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Baianas seguem a evolução mas sofrem com a renovação
É um processo natural do carnaval, e as grandes senhoras guerreiras buscam a adaptação
Baianas seguem a evolução mas sofrem com a renovaçãoBaianas da Rocinha no desfile de 1992. Foto: Ocimar Santos

Elas fazem parte, sem dúvida, de um dos mais carismáticos setores das escolas de samba. Tradicionais e responsáveis por belos espetáculos produzidos pelo girar na Avenida, as Baianas receberam atenção especial nos últimos anos. Após alguns problemas em desfiles recentes, as ligas decidiram tomar atitudes visando facilitar um pouco a vida das senhoras do samba. E agora, qual será o futuro delas? É atrás da resposta que o SRZD-Carnavalesco foi em busca e tenta dar um panorama do que pode vir por aí.

Carnaval de 2007. A Rocinha desfilava o enredo "O gigante mundo dos pequenos", do carnavalesco Mauro Quintaes. Momentos antes do desfile, um imprevisto: falta de fantasias para a ala. No ano seguinte, mais problemas. Dessa vez em "Rocinha é minha vida... Nordeste é minha história", o problema foi a falta das próprias Baianas. Acontece que no desfile de 2008 choveu, as fantasias ficaram pesadas, e muitas das componentes da ala passaram mal. Recentemente, São Clemente e Inocentes de Belford Roxo também passaram por problemas com suas Baianas. Mas por que isso vem acontecendo?

- Não tem um presidente que diga que esse é um problema tranquilo. Todos reclamam e dizem que há dificuldade de renovação do pessoal. Mas acredito que isso está associado às mudanças que têm ocorrido no mundo do carnaval. Pela tradição, é bonito ver baianas mais velhas, mas hoje o desfile é muito acelerado, assim como a bateria e os sambas. Como está tudo mais rápido, elas têm que evoluir mais, girar mais, e isso complica. A gente tenta renovar, mas vejo que a juventude está com um certo preconceito nessa renovação. Por mais que você dê a fantasia, as meninas querem ser passistas e não baianas - reclama o presidente da Acadêmicos da Rocinha, Déo Pessoa.

Mudanças vistas como normais

Mas há quem veja essas mudanças no mundo do carnaval como algo natural. Presidente da Ala das Baianas da Mocidade há 20 anos, Tia Nilda não acredita que existe uma descaracterização do grupo. Para ela, que dedicou metade de seus 68 anos de vida à ala da escola de Padre Miguel, essas transformações são comuns.

- Acho que a gente tem que seguir evoluindo com o tempo, se modernizando. Concordando ou não, tem que entrar na onda. Há 40, 50 anos, o carnaval era outro, agora, a gente tem que se envolver na situação e não ficar pensando no que é certo ou errado - defende.

Se o problema é a falta de rejuvenescimento na ala, como então atrair meninas mais novas para dentro do setor? Déo não sabe a solução, mas acredita que uma ideia pode facilitar as coisas.

- Para termos baianas, temos que dar incentivos, fazer promoções, atraí-las. Abrimos inscrições para baianas no ano passado, e o retorno foi insignificante. Vejo com muita preocupação isso tudo, porque baianas são importantes, fazem um espetáculo bonito. Temos que investir mais, valorizar as baianas. Temos que ter pessoas dedicadas à frente desses grupos para atrair, temos que dar apoio.

De olho na saúde das Baianas

Uma dessas formas de apoio a Rocinha tentou implantar ainda para o carnaval deste ano, mas não conseguiu realizar a tempo. Segundo Déo, o projeto seria nos moldes do programa Saúde da Família, do governo federal. Nele, as baianas receberiam atendimento médico pessoal a fim de evitar problemas de saúde. Na Mocidades, a preocupação com o estado físico das Baianas alcançou também os desfiles, como conta Tia Nilda.

- Para mim, fantasia tem que ser leve. Já cheguei a desfilar com até 40kg no corpo, mas agora na Mocidade só temos a agradecer ao Cid, que tem muito cuidado com isso. Ele é muito amigo das baianas, teve o cuidado de tirar a medida uma por uma no barracão, tudo para a pessoa se sentir confortável - comenta.

O número mínimo de Baianas nos desfiles mudou. Agora, no Grupo de Acesso A, bastam 40 componentes na mesma ala, ao invés dos antigos 60. No B, o mínimo passou a ser de 30. Já no Especial, a contagem começava com 100, agora, 70 componentes agrupadas em uma mesma ala são o suficiente para entrar na Avenida e não perder pontos para as escolas.


Fonte: Guilherme Marques / SRZD
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